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Por Olimpio Araujo Junior | Founder - GestordeMarketing.com

Pode parecer estranho, mas com a greve dos bancários não é só o povo que perde, mas também os próprios grevistas que estão vendo cada vez mais as vagas neste mercado diminuírem progressivamente. Isso se deve ao que chamo no Marketing Digital de "Treinamento da mente do consumidor", que vou explicar melhor mais abaixo.

Greve dos bancários

Quem lembra das agências bancárias antes da informatização? Quem recorda das agências antes dos terminais eletrônicos e dos Bancos On-line? Eram grandes agências, com um número enorme de pessoas trabalhando, dezenas de caixas para atender uma verdadeira multidão que ficava horas em filas intermináveis. Hoje é difícil encontrar uma agência com mais de três operadores de caixa trabalhando simultaneamente.

As filas diminuíram (apesar de ainda serem incomodas), ou foram transferidas para o lado de fora da agência, onde quem trabalha são os “terminais de auto atendimento” (que não entram em greve e custam muito menos para as agências).

Segundo estudo da “Booz, Allen & Hamilton” realizado nos E.U.A., o custo por transação bancária para os consumidores através do atendimento em agências bancárias é de US$ 1,07 por transação, quando realizadas através de centrais telefônicas o custo diminui para US$ 0,54 por transação. Quando a transação é realizada via Internet o custo não ultrapassa US$ 0,01 por transação. Estes valores podem não ser os mesmos exatamente no Brasil, mas proporcionalmente eles nos demonstram que abrir mão de estrutura física e de funcionários, e incentivar o uso da internet é um bom negócio para instituições financeiras em qualquer lugar do mundo.

Dentro deste contexto, a internet se consolida como um dos principais meios para a realização de transações bancárias no Brasil. Segundo o levantamento, as operações feitas por internet banking e mobile banking ultrapassaram mais da metade do total no ano passado, atingindo 54%. Ao incluir também o POS (pontos de venda no comércio), o percentual sobe para 69%.  Enquanto isso, as transações realizadas em caixas das agências correspondem apenas a 8,16% do total, segundo dados da Febraban.

(Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2015 Fonte: https://www2.deloitte.com/content/dam/Deloitte/br/Documents/financial-services/PesquisaDeloitteFebraban.pdf).

febraban

A questão envolvida nesta discussão, é que atualmente transações bancárias realizadas pela internet são mais rápidas, mais seguras, mais cômodas para o usuário, e quanto mais pessoas utilizam, mais baratas elas ficam para os Bancos.

Quando a greve obriga correntistas a procurarem os gerenciadores financeiros e os chamados "internet banking", estimulam os mesmos a utilizar estas ferramentas e se acostumarem com elas. Quando o usuário começa a perceber os benefícios de fazer suas transações on-line, não quer mais voltar para as agências físicas.  

A greve gerou o "estimulo", e a "resposta" dos usuários foi procurar outra saída, e neste momento os mesmos acabam sendo "treinados" a utilizar uma nova ferramenta. Como "prêmio", recebem a segurança, rapidez, comodidade, entre outras vantagens, e como mostra a psicologia comportamental, é com estímulos, respostas e premiações que treinamos a mente dos consumidores.  

Desta forma, quem tem a ganhar com a greve dos bancários, por incrível que possa parecer, são os próprios bancos, que ganham cada vez mais clientes adeptos das novas tecnologias, economizam, e lógico, não transferem esta economia para o usuário, engordando cada vez mais os seus cofrinhos. Analisando por este viés, quanto mais tempo a greve continua, mais os clientes bancários obrigam-se a procurar outros meios de realizar suas transações bancárias, e é nesse momento em que começam a experimentar o chamado “Internet Banking” e abandonar as agências. Acredito que está na hora dos sindicatos começarem a planejar melhor suas ações e analisar melhor os resultados delas a longo prazo. Greve não é mais solução, é suicídio profissional. 

Há alguns anos quando os bancários entravam em greve eu ficava em pânico, pois a maioria dos meus clientes pagavam por boleto em agências, então os recebimentos desabavam e afetava diretamente meu negócio. Hoje nem percebo mais quando os bancos estão em greve, mesmo os poucos boletos que são emitidos são pagos pela web ou em caixas eletrônicos, e muitas vezes por aplicativos.

A greve também não estimula apenas que os Bancos busquem novas soluções digitais, ela também propicia que novas fintechs (startups de tecnologia e finanças), desenvolvam mais soluções digitais e alternativas para substituir serviços bancários e assim evitar esse tipo de constrangimento para a população.
   
Enfim, suas longas, desagradáveis e recorrentes greves ao invés de ajudarem os trabalhadores bancários estão colaborando para que os mesmos percam seus empregos.

 

OLIMPIO, E OS BANCÁRIOS, COMO FICAM NESSA HISTÓRIA ?

Os bancários tem várias opções, desde mudar de ramo e sair de empregos estressantes e desgastantes em bancos com suas metas abusivas, até trabalhar nas novas fintechs, ou até mesmo empreender, usando sua experiência no banco para criar suas próprias startups ou aplicativos que solucionem algum problema ou necessidade, ganhando assim a "sua parte do bolo" que hoje é dividida apenas entre os poucos "Banqueiros" multibilionários no Brasil.

Você pode ficar esperneando por uma situação que não tem volta, ou pode tirar a bunda da cadeira e se tornar protagonista da sua própria história.

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