Por Olimpio Araujo Junior | Founder - GestordeMarketing

 Segundo dados da pesquisa “Demografia das Empresas”realizada pelo IBGE, mais da metade das empresas fundadas no Brasil fechou as portas após quatro anos de atividade. Esses dados são de 2013, e eu estou utilizando nesse artigo por que esse era um período sem os impactos da crise econômica, desta forma, podemos analisar melhor os reais fatores que levam um empreendimento fracassar, mesmo em condições favoráveis da economia.

Ao contrário do que muitos argumentam, os principais motivos para um empreendimento fracassar não são econômicos ou financeiros (sim, economia e finanças andam juntas mas são coisas diferentes), e por esse motivo resolvi elencar aqui alguns dos fatores que tenho observado durante minha vida profissional como empreendedor e consultor de empresas.

 

1 - FOCO - é muito fácil perder o foco, principalmente quando o empreendedor tem aquele perfil visionário, que busca novas oportunidades o tempo todo. Desenvolver muitos projetos ao mesmo tempo é uma receita quase perfeita para o fracasso. Desde o Barão de Mauá até Eike Batista passando por cases de empreendedores anônimos de todos os portes, poderíamos citar milhares de casos que comprovam isso. Desenvolva um projeto de cada vez, e só passe para um segundo quando o anterior estiver totalmente consolidado;

2 - RESILIÊNCIA - É comum que alguns tipos de empreendimentos demorem para dar o retorno esperado, algumas empresas podem demorar de cinco à dez anos só para recuperar o capital investido. Dificilmente um negócio tem algum resultado positivo com menos de um ano de atividade, e o fato de estar tendo receita positiva, não significa ainda que esteja consolidado. Na pressa de ter resultados rápidos, ou pela falta de resiliência (capacidade de se adaptar as mudanças e dificuldades), muitos empreendedores abandonam seus projetos antes deles estarem maduros o suficiente, e algumas vezes bem próximos de alcançarem seus objetivos. Pular de galho em galho não é o perfil de um empreendedor;

3 - CAPACITAÇÃO - Este é provavelmente o principal fator que leva empreendedores ao fracasso. Tanto a falta de capacitação como gestor e como empreendedor, assim como a falta de capacitação de sua equipe. Um empreendedor, indiferente de sua formação escolar ou acadêmica, precisa estar preparado para gerenciar seu negócio em diversas áreas: Gestão de pessoas, finanças, marketing, comercial, logística, entre outros. Você não precisa necessariamente fazer uma faculdade para isso, mas precisa sim procurar se capacitar de todas as formas possíveis de capacitação. Desde a leitura de livros, blogs especializados e outras publicações, até cursos e treinamentos específicos, presenciais e on-line;

4 - MARKETING - O marketing é outro fator decisivo. A maioria das pessoas ainda confunde marketing como publicidade, e muitas não fazem nem uma coisa nem outra. O marketing precisa estar presente desde a concepção da ideia do negócio, através de pesquisa de mercado, pesquisa de concorrência, desenvolvimento ou escolha dos produtos adequados, conhecimento do público alvo, controle de orçamento, campanhas de publicidade e comunicação, capacitação de equipe de vendas, precificação, canais de comercialização, canais de comunicação, vendas e pós vendas, relacionamento com os clientes, entre outras coisas. Um empreendedor que não tem conhecimentos de marketing tem grandes chances de fracassar antes de completar um ano de seu negócio;

5 - LUCRO X LUCRATIVIDADE - Tenho percebido que a maior parte das pessoas não sabe a diferença entre lucro e lucratividade. O lucro (ou lucro bruto), é o resultado final do valor do produto descontado seu preço de compra ou de produção. Porém, não é levado em consideração nesse caso os demais custos que a empresa tem. Você pode comprar um produto por 20,00 e vender por 100,00, tendo teoricamente um lucro de 80,00, porém, se você não vender produtos suficientes para alcançar seu ponto de equilíbrio e pagar todos os custos fixos e variáveis de sua empresa, não terá nenhuma lucratividade. Nesse caso, mesmo um produto com margem de lucro de 80% pode dar prejuízo. A lucratividade é aquilo que “sobra no bolso” no final do mês, descontado todos os custos e investimentos;

6 - SOCIEDADE - Esse é um erro fatal e muito comum em especial em nosso país. As pessoas fazem sociedades por afinidade, amizade ou parentesco, e não por motivos que realmente são importantes para seu negócio. Para conquistar o direito de ser seu sócio, uma pessoa precisa ser essencial para o empreendimento. Ou essa pessoa entrou com capital de investimento, ou possui alguma habilidade técnica essencial para o desenvolvimento dessa atividade. Muitas pessoas oferecem sociedade para pessoas próximas apenas por que as querem por perto. Se você precisa de um amigo, ou de um companheiro, convide ele para um happy hour, não para ser seu sócio. Se você tem algum amigo com uma habilidade importante mas que não é indispensável para que seu empreendimento seja viabilizado, contrate-o para trabalhar para você, ou no máximo faça uma parceria ou um contrato de trabalho com participação nos lucros e não como sócio. É mais fácil e mais barato demitir um funcionário ou dispensar um parceiro do que desfazer uma sociedade. Outro ponto importante é que os objetivos, ideais e valores dos sócios precisam estar totalmente alinhados. Discordâncias de opinião podem levar o negócio mais interessante e viável do mundo a falência;

7 - INVESTIMENTOS - Saber investir com sabedoria é essencial. Muitas pessoas se empolgam e acabam colocando dinheiro em coisas que não são primordiais para seu empreendimento, para seu produto ou mesmo para seus clientes. Tudo o que estiver relacionado ao produto, ao ponto de venda ou ao canal de venda, a apresentação de seu produto, serviço ou empreendimento, é importante. Tudo o que não aparece para o cliente é dispensável. Você pode ter uma loja virtual maravilhosa, como um layout e recursos do nível das melhores e maiores do mercado. Processos perfeitos de atendimento, logística, comunicação e relacionamento, e fazer tudo isso trabalhando na mesa da cozinha da sua casa ou apartamento. Uma frase que costumo dizer para meus alunos e clientes é ”Ganhe dinheiro primeiro, gaste depois”;

8 - SAZONALIDADE - Um empreendedor é como um agricultor. Ele não pode comemorar uma única colheita de sucesso e achar que todas vão ser iguais. Os resultados de uma empresa podem variar dependendo da época do ano, dependendo de fatores econômicos, políticos e até mesmo de modismos. Mantenha reservas em períodos de “vacas gordas”, pois inevitavelmente vão acontecer períodos de “vacas magras”. É por esse motivo que grandes empresas pagam salários fixos para seus executivos e até para seus proprietários, e os lucros líquidos do ano (lucratividade), são distribuídos apenas após o fechamento do ano, depois de uma parte ficar retida para reinvestimento e para capital de giro, e apenas o restante é dividido em forma de “dividendos”. Se você quer ter sucesso, precisa agir como as empresas de sucesso. Se quer ser grande, precisa agir como as empresas grandes;

9 - PLANEJAMENTO - Costumo repetir uma frase que diz: “O brasileiro nunca tem tempo para planejar, mas precisa arranjar tempo e dinheiro para fazer tudo de novo”. Quando você desenvolve uma estratégia errada, não perde apenas o dinheiro que investiu, perde também tudo o que deixou de ganhar naquele período. A falta de planejamento já foi apontado pelo Sebrae como o principal fator de fracasso de empresas iniciantes, e é um dos principais temas que abordo no meu curso, o “Formação de Gestores em Marketing Digital”.

Existem muitos outros fatores que levam um empreendimento ao fracasso garantido, mas acredito que esses são alguns dos mais comuns e por incrível que pareça, que menos são levados em consideração, em especial por empreendedores iniciantes.

E você, na sua opinião, quais são outros fatores que levam um empreendimento ao fracasso? Deixe sua opinião nos comentários.

 

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