Por Olimpio Araujo Junior | Founder - GestordeMarketing

Em uma sucessão de erros e mancadas usando o acidente da Chapecoense para gerar tráfego, o site Catraca Livre causou uma das maiores polêmicas do ano.

Com a concorrência por visibilidade, por tráfego e por novos seguidores cada vez maior, uma das estratégias mais usadas por blogs, portais e outros canais de comunicação nas redes sociais é aproveitar assuntos que estão em alta na mídia. Porém, não basta mais apenas publicar a notícia que é rapidamente pulverizada em todos os canais. Muitos desses blogs apelam para títulos persuasivos, chamadas criativas, imagens impactantes. Porém acabam não analisando os riscos e o impacto de suas ações e o que era para ser "Marketing de Oportunidade" acaba virando "Marketing de Oportunismo".

O caso mais recente de uma grande crise gerada nas redes sociais foi gerado pelo site Catraca Livre, que em uma sucessão de erros acabou perdendo mais de 400 mil seguidores em poucas horas apenas no facebook, sem contar outras redes sociais, número que continua caindo conforme os usuários ficam sabendo do ocorrido. Apesar do site ter cerca de 8 milhões de seguidores no facebook e na teoria isso representar apenas 5%, na prática o impacto pode ser muito maior, pois sabemos que a maior parte das pessoas que curtem uma página acabam não recebendo mais suas postagens com o tempo. Os usuários ativos em geral variam entre 7 a 10% do total, o que significa que eles podem ter perdido a maior parte de seus usuários ativos, que recebiam seu conteúdo e interagiam com ele. 

O Catraca Livre passou a ser alvo de milhares de críticas em suas redes sociais após fazer uma série de postagens de péssimo gosto sobre o trágico acidente aéreo na Colômbia, que matou 76 pessoas, entre elas jogadores da Chapecoense e jornalistas esportivos. Com manchetes como “Medo de voar? Saiba como lidar com isso!”. “Passageiros que filmam pânico em avião”. “10 mitos e verdades sobre viajar de avião”, usando hashtags relacionadas ao acidente, o site acabou gerando a fúria de milhares de usuários e de cidadãos que nem ao menos seguiam suas redes sociais, mas ficaram sabendo das postagens.

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Mesmo depois da polêmica com o primeiro post, o site continuou postando outros. Utilizaram até a selfie do último dia de vida dos jogadores como forma de atrair tráfego para sua postagem. Este foi o estopim para o que seria um dos dias mais movimentados ou “descurtidos” da página. 

Mas o que parecia que não poderia ficar pior, teve seu auge de reclamações quando o Catraca Livre respondeu as críticas pela primeira vez, dizendo considerar “relevante jornalisticamente mostrar todos os aspectos da tragédia”.

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Um do primeiros pontos que ensino no curso "Formação de Gestores em Marketing Digital" é o planejamento de ações de marketing, onde um dos principais pontos é a "análise de riscos", aonde antes de desenvolver qualquer ação, você identifica os possíveis riscos da mesma e cria ações de gestão de riscos, ou dependendo do nível do risco, abandona a ação. Eu mesmo me questionei várias vezes de ontem para hoje se publicava essa analise do caso ou não. Porém, na velocidade da internet, muitos profissionais preferem contar muito mais com seu "feeling" do que parar alguns minutos antes de uma ação importante como esse e fazer uma análise rápida.

Depois de toda a polêmica, o Catraca Livre tentou fazer uma ação para reverter sua imagem negativa, e acabou tropeçando novamente por falta de planejamento e por falta de analise de riscos e acabou plagiando uma postagem do Estadão, que respondeu prontamente também, gerando mais polêmica, e quando parecia que nada mais poderia piorar, o jornalista Gilberto Dimenstein, fundador do Catraca Livre fez uma postagem pedido desculpas e assumindo toda a responsabilidade pelos erros das postagens.

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Como profissional de Marketing Digital, entendo que o jornalismo precisa usar novas estratégias para gerar tráfego e visibilidade, até por que dependem disso para melhorar suas métricas e conseguirem manter seus anunciantes, porém, é preciso também profissionalizar suas ações, capacitando suas equipes adequadamente para não cometerem erros recorrentes como esses. 

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